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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Córdoba – Paso de los Libres - Uruguaiana


Foi na província de Córdoba, na cidade de San Francisco, para a nossa decepção, que tivemos contato com a pilantragem armada da polícia argentina; o episódio será descrito mais adiante, quando chegarmos lá.
A saída de Córdoba foi tranqüila. Deram-nos, no hotel, um mapa impresso do site ruta 0 com todo o trajeto, até a ruta 19 em direção a San Francisco. A viagem foi tranqüila e a estrada bastante boa. 


Passamos por Arroyito, onde fica a fábrica da ARCOR, mas só vimos a placa de "loja de fábrica" quando já havíamos passado por ela. O maior problema das estradas simples argentinas (não autovias) e que atravessam cidades, onde a velocidade máxima baixa para 40km/h, repletas de lomos de burro, nossas lombadas, ou quebra-molas. 



Paramos em San Francisco para comprar água e umas pizzetas em uma padaria que havíamos conhecido duas semanas antes. 



A foto é da concessionária que nos atendeu no início da viagem, quando entramos na argentina e precisamos trocar o semi-eixo e a homocinética.



Feitas as compras, seguimos em direção ao posto YPF que fica na saída da cidade, pois sabíamos que aceitavam cartões de crédito. Foi no caminho ao posto, a poucos metros deste, que fomos abordados por um policial de motocicleta que parou ao lado da minha janela e me disse que havia passado um sinal, que parasse no acostamento para conversarmos. Esta foi a única participação dele no episódio, pois chamou uma dupla que ocupava uma Ecosport  e que parecia formada por aqueles policiais mexicanos estereotipados de filmes americanos. Uma dupla de picaretas; cafajestes da pior espécie. Pena não ter podido fotografá-los.
Pois bem, a conversa inicial foi a mesma: em que o Sr. trabalha? (Daí eles calculam o montante da “facada”.) Eu respondia sempre: soy empleado! Respondia isto por ser a última opção, sempre, em formulários de hotel, lojas, fronteira, etc.  Funcionava, pois me torciam os narizes.
Depois vieram com a história do sinal que eu tinha passado, talvez por não ser da cidade e não conhecer as vias e semáforos locais. Pedi, então (pois tinha a mais absoluta certeza de não ter furado qualquer sinal, até porque andava no meio dos demais automóveis que circulavam na mesma via e, se eu tivesse furado o suposto sinal, todos os demais também o teriam.) que me mostrasse o tal sinal. Apontaram, esforçaram-se, mas até hoje não o identifiquei. Disseram-me que era má vontade minha e que deveriam, por eu ter cometido uma infração de trânsito, pagar uma multa. Quem me falava isto era o “comissário”, de quepe na cabeça, barriga chupada e ar de quem se imagina muito poderoso. Dizia ainda que o seu companheiro – este de óculos escuros e bigodinho preto – que copiava os dados dos meu documentos em caderninho disposto sobre um bloco de multas, me explicaria sobre o que e como pagar. O valoroso policial de bigodinho me disse que eu não poderia sair do país sem pagar uma multa de $1.700,00 e que deveria falar com o juiz que a lavraria. Então o “comissário” pôs-se a ligar para o juiz imaginário, mas não conseguiu falar com ele. Eram 11:30 da manhã e, segundo ele, o juiz só poderia me atender às 14:00. Disse-lhes que era impossível, pois deveria estar de volta ao Brasil ainda naquele dia. Então vieram com a história da comissão que recebem ao aplicar uma multa e eu se eu a pagasse me liberariam. (Quem estava desrespeitando a lei? Será que o juiz imaginário também é corrupto?) Queriam que eu pagasse, no ato, para me devolverem meus documentos e liberarem minha saída, $400,00. Disse-lhes que não tinha este dinheiro; que só tinha o suficiente para o pedágio. Então foi a vez do bigodinho tentar me intimidar com a história do juiz. Pegou o telefone e tentou ligar outra vez. Como fiquei na minha, voltou com a mesma conversa de que o juiz só poderia me atender às 14:00. Como eu queria fazer para resolver a situação? Disse-lhes que achava que deveriam me passar uma advertência – se eu tinha passado pelo tal sinal - e me liberar, pois não repetiria o erro. Não, não pode ser, disse o comissário, meu colega já explicou o que deve ser feito. Mais uma vez lhes disse que não tinha aquela quantia, que até aquele momento não havia identificado o sinal e que, descontados os pedágios me sobrariam, no máximo, $10,00. Então confabularam, irritaram-se e decidiram por me mandar embora sem multa, propina, comissão ou o nome que quisessem dar àquele assalto.


Passado o episódio com os dois boçais, entramos no YPF para abastecer. Como vinha acontecendo com freqüência, estavam sem gasolina super; tinham apenas a Premium e fomos obrigados a encher o tanque com a gasolina mais cara da YPF.
Logo em seguida saímos da província de córdoba e entramos na de Santa Fé, por onde a viagem foi tranqüila até cruzarmos o túnel e entrarmos província de Entre Rios. 


Mais uma vez os policiais desta província foram muito gentis. Em Paraná, logo ao sairmos do túnel, paramos em um posto de informação turística que nos forneceu um mapa e explicações da maior utilidade. Até sobre as condições das estradas até Paso de los Libres o funcionário nos falou.

Saindo de Paraná:


Foi em Entre Rios que passamos pela pior estrada que encontramos na Argentina, um trecho da ruta 127, próximo a San Jaime de La Frontera, onde fomos obrigados a trafegar a 20km/h por cerca de 30km.


Logo depois estávamos próximos do nosso destino. Paramos para pedir informação a um guarda e acabamos dando carona a ele até perto de Libres. Chegando em Libres, paramos no mesmo posto do dia do início da nossa viagem, enfrentamos fila semelhante e fomos, mais uma vez, obrigados a abastecer com Premium por falta de Super.
Enquanto passávamos pela Aduana (15 minutos) anoitecia. Cruzamos a ponte às 21:00, fomos para o nosso mesmo hotel, descarregamos alguma bagagem, instalamo-nos e corremos para a praça a fim de tomar um chopp e comer alguma coisa naquele mesmo quiosque.


Pouco depois fomos descansar para enfrentar, na manhã seguinte, os últimos quilômetros da nossa viagem.
Próxima postagem: Uruguaiana a Porto Alegre: fim da linha.

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